01. Introdução
Este POP organiza a execução e a revisão do método de cálculo de blindagem em medicina nuclear · pet/ct, com base no AAPM TG 108. Foi estruturado para documentar as premissas e tornar a conferência do cálculo rastreável.
| Campo | Situação desta versão |
|---|---|
| Código editorial | POP-BLD-108 |
| Versão / elaboração editorial | 0.2 · 31/10/2026 |
| Elaboração | Conteúdo autoral do Inspector Sanitatis, baseado nas referências identificadas. |
| Revisão técnica | Pendente de identificação e revisão por profissional habilitado. |
| Aprovação / vigência | Não aprovadas; a definir pelo serviço após validação e controle documental. |
| Vínculo operacional | Calculadora de Medicina nuclear · PET/CT · registrar na memória a versão do módulo efetivamente utilizada. |
02. Objetivos
Padronizar a integração temporal e a soma de exposições de pacientes com F-18, em salas de captação, aquisição e outras permanências, utilizando o TG 108 com a errata de transmissão de 2006.
03. Campo de aplicação
Aplica-se aos fótons de aniquilação de 511 keV de pacientes com F-18 e às curvas em feixe largo de chumbo, concreto ou ferro. A atividade de referência é a administrada no paciente; cada contribuição descreve uma fase/localização que irradia o mesmo ponto protegido.
Não abrange automaticamente outros radionuclídeos, radiofármacos terapêuticos, seringas/frascos, rejeitos nem proteção do desempenho de detectores. A parcela de raios X do CT requer cálculo separado e compatibilização das grandezas e do orçamento de dose.
A responsabilidade e os limites do modelo devem permanecer identificados na emissão da memória, inclusive quando houver avaliações complementares.
04. Documentos de referência
Madsen MT et al. AAPM Task Group 108: PET and PET/CT Shielding Requirements. Medical Physics 33(1):4–15, 2006. DOI: 10.1118/1.2135911. Cópia PDF fornecida pelo usuário.
- Tabelas IV/V: transmissão e ajustes em feixe largo, página impressa 7 (PDF 5).
- Equações 1–4 e tabela VI: integração temporal e salas de captação, páginas 8–9 (PDF 6–7).
- Equação 9 e exemplo 2: aquisição, páginas 9–11 (PDF 7–9).
Relatório no site oficial da AAPM ↗ · DOI do artigo ↗
Mawko G. Erratum, Medical Physics 33(9):3579, 2006. DOI: 10.1118/1.2336249. Errata oficial: sinal do expoente na tabela IV ↗.
Texto operacional autoral, organizado a partir dos métodos já documentados no guia e dos relatórios fornecidos. Consulte as edições identificadas e suas correções ao adaptar o POP. O vínculo ao relatório não representa autoria ou aprovação deste POP por suas entidades editoras.
05. Siglas e abreviaturas
| Sigla | Significado |
|---|---|
| POP | Procedimento Operacional Padrão |
| VISA | Vigilância Sanitária |
| NCRP | National Council on Radiation Protection and Measurements |
| AAPM | American Association of Physicists in Medicine |
| PET | Tomografia por emissão de pósitrons |
| CT | Tomografia computadorizada |
| F-18 | Flúor-18 |
| MBq | Megabecquerel |
| TG | Grupo de trabalho (Task Group) |
06. Definições
- Barreira homogênea
- Barreira representada por um único material e sua curva de transmissão. A equivalência entre materiais não é presumida.
- Ponto protegido
- Local de ocupação para o qual se avaliam as contribuições, com distância e geometria identificadas.
- Meta de projeto P
- Valor semanal adotado para a grandeza explicitada no método, cuja justificativa e referência devem ser registradas.
- Fator de ocupação T
- Fração de ocupação pertinente ao indivíduo avaliado no ponto protegido.
- Transmissão B
- Fração da contribuição que atravessa a espessura do material, segundo a curva e o espectro utilizados.
- Memória de cálculo
- Registro das entradas, fontes, unidades, hipóteses, cálculos, verificações e limitações de um cenário.
- FU e Rt
- Fator de decaimento até o início da fase e fator de integração durante a permanência, respectivamente.
07. Responsabilidades
| Responsável | Atribuições e evidências |
|---|---|
| Profissional habilitado pelo projeto | Definir a aplicabilidade, critérios, hipóteses, fontes e cálculos; identificar limitações e assinar a documentação sob sua responsabilidade. |
| Equipe do serviço / responsável pelos dados | Disponibilizar plantas, rotinas, cargas, protocolos, mapas do fabricante e alterações previstas; confirmar a representatividade dos dados. |
| Revisor técnico designado | Conferir independentemente unidades, geometria, fontes e soma transmitida; registrar identificação, data e pendências da revisão. |
| Responsável pela execução construtiva | Executar a especificação aprovada; registrar materiais, densidade/espessura quando pertinentes, continuidade, juntas e alterações de obra. |
| Gestão documental do serviço | Controlar aprovação, versão vigente, registros e revisão; impedir uso inadvertido de versões substituídas. |
08. Procedimento
8.1 Preparação e dados de entrada
- Receber a solicitação e identificar projeto, serviço, equipamento e versão da planta. Registrar se o trabalho corresponde a instalação nova, alteração ou verificação.
- Levantar medidas, alturas e ocupação dos pontos protegidos. Identificar o indivíduo mais exposto e mudanças previsíveis de uso.
- Reunir relatórios de referência, dados técnicos, protocolos, histórico de carga e informações construtivas. Registrar fonte, edição, tabela/linha e data de cada dado.
- Antes de executar, confirmar que os dados necessários abaixo estão disponíveis. Havendo lacuna que altere o resultado, registrar a pendência e não inventar um valor para encerrar a memória.
| Parâmetro | Unidade | Como obter / conferir |
|---|---|---|
| N / A₀ | pacientes/semana / MBq por paciente | Atividade de F-18 na administração; . |
| Δ / t | h / h | Atraso desde a administração até o início da fase e duração dessa fase; . |
| f / d | adimensional / m | Fração retida no início da fase e distância paciente–ponto protegido. |
| T½ / Γpaciente | 109,8 min / 0,092 µSv·m²/(MBq·h) | Parâmetros usados pelo módulo de F-18; Γ já considera a autoatenuação corporal. |
| P / T | µSv/semana / adimensional | Meta semanal e ocupação individual, com critério e referência. |
| α, β, γ / x | cm⁻¹, cm⁻¹, adimensional / cm | Ajustes da tabela V para chumbo, concreto ou ferro, com expoente corrigido da equação. |
| xexistente / incremento | cm do mesmo material | Espessura existente comprovada e incremento de arredondamento para cima. |
8.2 Execução do cálculo
Executar as etapas na ordem e manter o registro indicado. Repetir para cada ponto protegido; não confundir o atendimento de um ponto com a adequação de toda a instalação.
- Mapear a jornada e o ponto protegido
Identificar administração, captação, aquisição, sanitário, espera de saída e circulação relevantes. Marcar posições dos pacientes, distâncias e ocupação dos ambientes, inclusive acima e abaixo. Para um mesmo ponto, identificar todos os pacientes/salas que possam contribuir.
Registro esperado: Planta e cronograma de fases/localizações com limites do cenário.
- Confirmar o radioisótopo e o tipo de fonte
Confirmar F-18 administrado no paciente. Não usar a constante do paciente para uma seringa/frasco não blindado, nem aplicar os coeficientes a outros radioisótopos. Encaminhar fontes de preparo, rejeitos e outros radionuclídeos para cálculo próprio.
Registro esperado: Identificação do radionuclídeo, atividade e fontes excluídas/encaminhadas.
- Definir N, A₀, P e T
Obter a rotina semanal e a atividade administrada em MBq por paciente. Converter mCi para MBq quando necessário. Justificar a meta P em µSv/semana e a ocupação T; o valor de 20 µSv/semana dos exemplos do relatório não é seleção regulatória automática para a instalação.
Registro esperado: Premissas de carga, atividade, crescimento e critério de P/T.
- Definir os tempos de cada fase
Expressar Δ e t em horas. Δ parte do instante de referência de A₀ até o início da fase. Se a atividade usada já corresponde ao início da fase, usar e registrar essa mudança de referência, evitando dupla aplicação do decaimento. Não sobrepor intervalos do mesmo paciente sem justificativa.
Registro esperado: Linha do tempo por protocolo e origem temporal da atividade.
- Determinar a fração retida
Usar quando não houver crédito biológico documentado. O exemplo de aquisição usa após micção; não aplicar esse desconto à fase de captação anterior. O campo é um fator no início da fase, não uma modelagem contínua de excreção.
Registro esperado: Justificativa de f em cada fase, com momento de micção quando utilizado.
- Integrar o decaimento
Calcular , e . Usar Rt para a exposição integrada durante a permanência, não o fator de decaimento apenas no final. Não arredondar os fatores intermediários antes da soma.
Registro esperado: λ, FU, Rt, Δ e t na memória de cada contribuição.
- Calcular a dose semanal não blindada
Aplicar , em µSv/semana antes da ocupação. A constante já inclui autoatenuação do paciente; não aplicar novo fator corporal genérico. O módulo não concede crédito à blindagem do gantry.
Registro esperado: Dose de cada fase, distância e hipóteses de atenuação.
- Aplicar a transmissão corrigida
Selecionar o material e os coeficientes da tabela V. Usar x em cm, inclusive para chumbo, e o expoente −1/γ corrigido pela errata. A tabela IV usa mm para a espessura de chumbo; não transferir essa unidade para os coeficientes em cm⁻¹ da tabela V.
Registro esperado: Material, α, β, γ, unidade de espessura e identificação da errata.
- Resolver a soma e arredondar
Exigir no ponto protegido. Na mesma barreira/material, calcular a espessura comum e arredondar para cima. Recalcular todas as parcelas com a espessura adotada e comparar também com a barreira existente verificada.
Registro esperado: Espessura contínua, arredondada e dose ocupada após arredondamento.
- Compatibilizar o PET/CT e as exclusões
Avaliar o CT com seu espectro e método apropriados. Antes de somar, compatibilizar grandezas e unidades; não somar diretamente mGy de kerma com µSv de dose equivalente. Distribuir um orçamento comum de P entre componentes compatíveis; não conceder P inteiro a PET e CT separadamente. Registrar fontes e caminhos que ainda exigem cálculo.
Registro esperado: Memória PET e lista de avaliações complementares, incluindo a parcela CT quando houver.
8.3 Equações e unidades
A constante 0,092 tem unidade µSv·m²/(MBq·h) e representa o paciente com F-18, já com autoatenuação corporal. Não a reduza novamente por um fator genérico de atenuação do corpo. Para atividade ainda na seringa ou no frasco é necessário outro modelo de fonte.
Rt integra o decaimento durante a permanência: não é o mesmo que o fator de decaimento no final do período. Para t pequeno, Rt tende a 1; para uma meia-vida, . A ferramenta usa uma forma numérica estável para não perder precisão nos intervalos curtos.
Correção da equação de transmissão
A errata publicada em 2006 corrige o expoente da expressão B na legenda da tabela IV: o expoente é −1/γ. É essa expressão corrigida que a ferramenta utiliza. A inversão fornece .
Na tabela V, α e β estão em cm⁻¹. O chumbo usa (1,543; −0,4408; 2,136), o concreto (0,1539; −0,1161; 2,0752) e o ferro (0,5704; −0,3063; 0,6326). A tabela IV apresenta a espessura do chumbo em mm, mas os ajustes da tabela V usam cm. A densidade do concreto do TG 108 é 2,35 g/cm³. O programa mantém cm no cálculo e no resultado.
8.4 Conferência e critérios de aceitação
Conferência independente
O revisor deve verificar uma contribuição por cálculo independente, conferir a ordem de grandeza e examinar a soma completa. Alterar uma entrada da calculadora exige gerar nova memória; não reutilizar um resultado anterior ou um arquivo exportado como se tivesse sido atualizado.
- O cenário é de F-18 no paciente, dentro do escopo?
- A atividade está em MBq e os tempos em horas?
- A referência temporal de A₀ não gerou dupla aplicação de decaimento?
- Rt integra a permanência, em vez de usar só a atividade final?
- foi aplicado apenas na fase justificada após micção?
- O expoente da transmissão é −1/γ e x está em cm?
- As fases/fontes não estão duplicadas nem omitidas?
- PET e CT não receberam a meta integral independentemente?
- A soma ocupada após arredondamento atende a P?
Critério numérico e conclusão
A soma das contribuições transmitidas no ponto, ponderadas por T e avaliadas com a espessura arredondada para cima, deve ser menor ou igual a P. Esse atendimento é restrito às hipóteses e às componentes calculadas. A revisão só deve concluir o cenário quando fontes, geometria, unidades e interfaces relevantes estiverem identificadas; pendências de escopo precisam permanecer explícitas.
Se a ferramenta indicar espessura zero, conferir a origem dos dados e a inclusão de todas as fontes. Isso significa somente que o cenário informado atende ao limite sem blindagem adicional no modelo. Não concluir ausência de exposição ou dispensa automática de requisitos construtivos.
09. Desvios e ações necessárias
| Situação | Conduta e retorno ao processo |
|---|---|
| Outro radionuclídeo, seringa/frasco ou rejeito | Não aplicar o modelo do paciente F-18; selecionar método e dados específicos. |
| Atrasos ou durações inconsistentes | Reconstruir a linha do tempo e a referência de atividade antes de calcular. |
| Dose abaixo do esperado por fatores repetidos | Conferir se houve duplicação de autoatenuação, micção ou decaimento. |
| Uso de mm com coeficientes da tabela V | Converter a espessura para cm e recalcular todas as transmissões. |
| Parcela CT sem avaliação compatível | Manter a memória como PET parcial e encaminhar o cálculo do CT antes da conclusão do conjunto. |
Registrar o desvio, a fonte da correção, o responsável e a revisão da memória. Após qualquer correção, repetir a soma e a conferência do resultado. Não aumentar P nem diminuir T apenas para fazer uma espessura disponível atender.
10. Anexos
10.2 Registros e ficha de emissão
Emitir uma memória por ponto protegido, ou um documento com os pontos inequivocamente separados. Registrar:
- Identificação do projeto, versão da planta, ponto, barreira, coordenadas/alturas pertinentes, data e responsáveis.
- Meta P, ocupação T, justificativas, unidades e critérios adotados.
- Atividade e radionuclídeo, cronograma de fases, N, A₀, Δ, t, f, distâncias, FU, Rt, constante do paciente, material, coeficientes da tabela V e errata, além da compatibilização com o CT.
- Espessura contínua, incremento, espessura arredondada, parcelas transmitidas, soma, comparação com P e análise da barreira existente.
- Exclusões, aproximações, incertezas relevantes, condições de validade e avaliações complementares.
- Identificação da calculadora, versão do módulo, arquivo JSON e impressão/PDF gerados a partir das mesmas entradas revisadas.
- Revisão técnica, pendências, decisão documentada e vínculos com especificações construtivas e plano de verificação pós-instalação.
Guardar os registros no sistema documental adotado pelo serviço, conforme seus requisitos aplicáveis. A página não determina um prazo legal de guarda. Não inserir dados identificáveis de pacientes nos exemplos ou na calculadora.
| Registro | Identificação / evidência a vincular |
|---|---|
| Projeto / planta / ponto protegido | |
| Memória / arquivo / versão do módulo | |
| Elaborador / data | |
| Revisor / data / pendências | |
| Aprovação institucional / vigência | |
| Verificação da execução / levantamento radiométrico |
Abrir calculadora e gerar a memória →
10.2 Exemplo de conferência
Conferência do exemplo 2 do TG 108: pacientes/semana; MBq; h; h; ; m; ; µSv/semana.
Com min e fatores não arredondados, , e µSv/semana. Os fatores intermediários arredondados do texto (0,68 e 0,91) produzem cerca de 59,7 µSv/semana. Para o ajuste contínuo de chumbo, cm; com incremento de 0,1 cm para cima, adotar 0,9 cm no modelo e conferir a dose transmitida, cerca de 17,40 µSv/semana. O caso confere o algoritmo, não define a blindagem de outra instalação.
11. Histórico
| Versão / data | Alteração | Estado |
|---|---|---|
| 0.1 · 31/10/2026 | Criação da minuta e vínculo com a calculadora. | Minuta para adaptação. |
| 0.2 · 31/10/2026 | Estrutura comum de onze seções, novo visual de etapas e equações em LaTeX. | Revisão técnica e aprovação institucional pendentes. |
Gatilhos de revisão: Atividade administrada, radiofármaco/radionuclídeo, protocolos e tempos, número de pacientes, salas de captação/aquisição, rotas, sanitários, equipamento PET/CT ou ocupação. Revisar também quando forem identificadas correções das referências, falhas de cálculo ou alterações do módulo utilizado. A periodicidade ordinária deve ser definida pelo serviço, sem apresentar uma frequência editorial como obrigação normativa.
Após revisão, registrar a versão substituída, as alterações, os revisores, a aprovação e a vigência. Preservar as memórias anteriores com suas respectivas hipóteses e versões, sem sobrescrevê-las como se fossem o mesmo cálculo.